quarta-feira, 25 de abril de 2018

O Que Esperar dos Livros da Saga Desventuras em Série?

Uma xícara quente de café/chá/leite com Toddy, a chuva fina batendo à janela, o zumbido do vento, um cobertor, um quarto aconchegante e um livro nas mãos. Que cena perfeita. Eis que você abre o livro e logo nas primeiras palavras, o narrador diz: “Se vocês se interessam por histórias com final feliz, é melhor ler algum outro livro. Vou avisando, porque este é um livro que não tem de jeito nenhum um final feliz, como também não tem de jeito nenhum um começo feliz, e em que os acontecimentos felizes no miolo da história são pouquíssimos (...). Lamento ter que dizer isso a vocês, mas o enredo é assim, fazer o quê?”. 

Pode parecer estranho e, no mínimo, curioso, mas é exatamente dessa forma que o norte-americano Daniel Handler, trajado de Lemony Snicket, o melhor narrador-personagem já visto, ou melhor, já lido, inicia sua obra, Mau Começo, o primeiro livro da saga Desventuras em Série, composta por 13 livros, publicados no início dos anos 2000.

Nos livros, Lemon Snicket narra (e participa) das desgraças (literalmente), de três órfãos, os irmãos Baudelaire, que vivem (des)aventuras numa sala cheia de cobras, numa serralheria maligna, num colégio infernal, num circo de horrores, numa cidade sinistra, num submarino e até num apartamento de luxo, tudo para escapar das garras do Conde Olaf, que almeja, mais que tudo na vida, pôr suas mãos imundas na herança das crianças. A história é repleta de aventuras e escrita de forma bastante perspicaz, pois, além de personagens caricatos e, até mesmo, parecidos com pessoas que os leitores conhecem ou já conheceram na vida, ao longo dos 13 livros, percebemos o amadurecimento dos três habilidosos jovens, a astúcia do Conde Olaf cada vez mais aguçada e o envolvimento do próprio narrador na vida dos Baudelaire cada vez mais evidente.

Os livros têm situações que nos fazem prender a respiração e também nos trazem a mensagem que através do amor fraterno e da bondade, adquirimos coragem para enfrentar os piores problemas e para não mostrarmos omissos diante de obstáculos, além de contribuirem para a expansão do vocabulário dos leitores, já que o narrador utiliza palavras complicadas e nos oferece os significados e sinônimos de acordo com o contexto vivenciado pelos personagens. 


Alguns podem até se assustar com a quantidade de livros nessa série, mas eles são curtos, tendo uma média de 100/150 páginas cada um, possuindo ilustrações excelentes, e Daniel/Lemony acertam (e muito), porque o narrador, não apenas narra, não apenas participa, ele conversa com o leitor, misturando excentricidade, aventura, melancolia e, o melhor, muito (muito) sarcasmo. Sem contar que são tantos acontecimentos e tantas reviravoltas ao virar de uma página, que a leitura flui rapidamente, deixando o leitor roendo as unhas para saber qual a próxima desventura que sobrevirá aos Baudelaire.

Em 2004 foi lançado o filme Desventuras em Série, que conta com ninguém mais, ninguém menos, que Jim Carrey no papel do excêntrico e malvado Conde Olaf, adaptando as histórias dos três primeiros livros da série: Mau Começo, a Sala dos Répteis e O Lago das Sanguessugas. Particularmente, prefiro o filme que a série, estreada em 2017, produzida pela (aclamada) Netflix. A série é mais fiel à ideia original do autor, dividindo os episódios de acordo com os livros, com Neil Patrick Harris (sim, o legendário Barney, de How I Met Your Mother) interpretando o Conde Olaf. No entanto, o filme conseguiu capturar muito bem a melancolia e aflição na vida dos Baudelaire, mesmo com a história adaptada. Já a série, aborda o aspecto mais infantil do livro. 

Desventuras em Série (Filme de 2004)

Conde Olaf - Jim Carrey / Neil Patrick Harris
Desventuras em Série (Série de 2017)

Bem-Vindos ao Fantástico Reino das Letras


Ler é maravilhoso! É absurdamente incrível poder abrir um livro e com isso, abrir uma porta a um reino fantástico, a uma realidade utópica (ou distópica?), a outro planeta, outra galáxia, outra dimensão...

Cada palavra, cada descrição de personagens e lugares e a cada história contada, fazem o leitor sorrir, suspirar, chorar e viajar, além de, muitas vezes, despertar nossa criticidade ao nos fazer refletir sobre o mundo e a sociedade...

Existem os livros que criticam a sociedade e que nos levam a pensar e repensar sobre até que ponto, por ventura, podemos chegar, como A Metamorfose, de Franz Kafka e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury e/ou as modernas trilogias: Jogos Vorazes (Suzanne Collins) e Divergente (Veronica Roth). Temos à disposição, também, os livros de romance, sofridos e melancólicos, "mel com açúcar", ou mais realistas, como o pioneiro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, ou Ecos de Danielle Steel, ou ainda, A Hora da Estrela, de Clarice Lispector e Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, por exemplo. Há os livros que, muitas vezes, mesclam características medievais e fantasiosas, como a saga As Crônicas de Nárnia (C. S. Lewis), As Crônicas de Gelo e Fogo (George R. R. Martin), Harry Potter, de J. K. Rowling e O Senhor dos Anéis, de Tolkien. Não podemos ignorar os livros que nos introduzem a um mundo tecnológico, repleto de viagens no tempo e à outras galáxias, como a trilogia de Douglas Adams, O Guia dos Mochileiros da Galáxia, Jogador Nº 1, de Ernest Cline, Perdido em Marte, de Andy Weir e Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle. Isso que nem estou citando os clássicos portugueses (Luís de Camões, Eça de Queiroz, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Saramago, Herberto Helder, Fernando Pessoa (e seus heterônimos)), os brasileiros (Gregório de Matos, Machado de Assis, José Martiniano de Alencar, Guimarães Rosa, Aluísio de Azevedo), e os ingleses (William Shakespeare, Sir Arthur Conan Doyle, Charles Dickens, Jane Austen).

Ah, meus caros, ler é estupendo! A literatura é revigorante. Com ela, estudamos não apenas a arte de ler, mas, somos direcionados ao contexto histórico, social, cultural e até político da época vigente em que o livro foi escrito. Além de, em alguns casos, nos esclarecer (ou obscurecer) a maneira de enxergar o mundo e as pessoas na perspectiva de outros indivíduos.

Desejo a todos que sejam bem-vindos ao fantástico reino das letras.